Encontrando meu lugar em Tegucigalpa

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Quando você faz desse lugar o seu lugar, a prática acontece.

Essa frase fez muito sentido para mim em Tegulcigalpa, a capital de Honduras. Uma cidade grande sem muito charme, com uma população de 1 milhão de habitantes e uma das maiores taxas de criminalidade do mundo. Nada muito animador, não é?

Meu primeiro plano era apenas passar apenas uma noite e seguir para a Nicarágua, mas quando cheguei e fui comprar a minha passagem de ônibus, me disseram que o carimbo de um mês que recebi na imigração ao entrar em Honduras não valeria na Nicarágua. (Para entender, Na América Central existe um acordo que você pode ficar por 90 dias nos 4 países, Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Eu fiquei 89 dias na Guatemala e quando entrei em Honduras, me deram mais um mês)

O funcionário da empresa de ônibus me aconselhou a ir para a Costa Rica e voltar, mas eu não estava nem um pouco afim de passar quase 20 hrs de ônibus e mais o dinheiro da passagem só para chegar lá e voltar, achei que fazia mais sentido ir resolver isso na cidade.

No dia seguinte, uma quinta-feira, lá fui eu até a imigração e consegui que fizessem a extensão do meu visto, mas só estaria pronto na segunda. Decidi então ficar por lá e explorar Tegucigalpa, uma das cidades menos visitadas pelos turistas.

Quando voltei fiz o “walking tour” com o cara do hostel, passeei pelo centro, fiz comprinhas no supermercado e aproveitei para cozinhar, para mim, cozinhar é uma das coisas que me faz sentir em casa e desde o México que os hostels que eu fiquei não podia usar a cozinha.

No outro dia comecei então a explorar as atrações da cidade. Fui visitar o parque nacional La Tigra, que fica a 22 km do centro.

Fui de chicken bus, super barulhento, música popular hondurenha de péssimo gosto no volume máximo e o motor de ônibus velho super barulhento. Só conseguia pensar o que eu estava fazendo ali. Porque não tinha ido para a Costa Rica ou para Belize. Que canseira, como alguém sobrevive com tanto barulho, tanta desorganização?

Finalmente cheguei no parque. Bonito. Mas meio parecido com a nossa mata atlântica. Ia ter que ficar até segunda em Tegucigalpa. O que eu estava fazendo ali? O parque era bem organizado, fiz a trilha que cabia no meu tempo. Cheguei ao ponto mais alto, mas não tinha vista… só me vinham os sentimentos de falta, não tem vista, o parque não é tão legal assim, mas segui caminhando.

Num certo momento eu simplesmente estava ali. Passo a passo, árvores, samambaias, formigas. Fui refletindo sobre o que me fazia bem e o que não era bom para mim. De repente, no meio da mata do parque de Tegus eu estava presente. Tudo fazia sentido, caminhar em silêncio no parque vazio, pensando na vida. Nada faltava, nada sobrava. O meu caminha era ali.

Terminei a trilha uma hora antes do horário que o ônibus passaria e decidi ir caminhando e pegar o ônibus mais para a frente. Fui andando pela estrada, falando com as crianças, apreciando a vista das montanhas. Comprei framboesas das mulheres de uma casa azul. Nada podia ser melhor do que estar ali, caminhando na serra da cidade “sem graça”, capital de Honduras. Eu não queria estar nem em Belize nem na Costa Rica e percebi que aquele momento só era possível por estar naquele lugar. Exatamente por a cidade não ser uma grande atração turística eu pude estar sozinha comigo mesma de uma maneira que não tinha acontecido nos últimos lugares.

Esse foi o dia de observar a impermanência dos meus sentimentos e de achar o meu lugar. Como quando se faz um retiro ou se senta em zazen, que a mente começa “macaqueando” e aos poucos vai silenciando. Tegucigalpa foi o meu zazen e deixou e ser simplesmente “sem graça”, para ser onde eu me encontrei.

E ainda passeei bastante por lugares perto e pude desenhar na Vila de Santa Lucia, passeio de final de semana comum para as pessoas de lá. Na segunda feira fui pegar o passaporte e seguir viagem. Mas o que aconteceu depois, só no próximo post…

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