Co + Responder


A partir de amanhã, dia 30/06/2016 eu estarei off-line por um ano, terei apenas alguns dias de férias em que estarei conectada. Por esse tempo o blog não vai ser atualizado.

Nesse período podemos trocar correspondências. Fiquei pensando nessa palavra, corresponder, responder junto. É porque não perguntar junto? Escrever, criar, imaginar, sonhar e compartilhar. 

Fica aqui o convite para essa troca, entre a minha vida de mosteiro e a sua vida por aqui. Vida de mosteiro zen também é corrida, de outra maneira, acordar cedo para meditar, trabalhar, estar sempre no horário. Sempre presente no presente. 

Até logo

Chegar no Solstício, você acha que ia ser fácil?


E o capítulo “perrengues” continua.

Meu vôo saía de Manágua para Orlando às 2 da manhã. Cheguei no aeroporto ainda antes das 11, com tranquilidade. O vôo para Miami saiu um pouco atrasado, mas não muito, atrasinho normal. Quando cheguei em Miami tinha uma longa fila na imigração e muita gente que como eu ia pegar um vôo em conexão. O vôo chegou em Miami às 6:00 e meu vôo para Orlando saída às 7:00. Quando estava perto as 7:00 um funcionário da Spirit Airlines veio acalmar as várias pessoas da fila que iam pegar esse vôo, dizendo que seriam todos relocados no próximo vôo.

Para a minha surpresa, quando eu cheguei no balcão da Spirit não tinha ligar no vôo seguinte, nem no vôo da noite nem do dia seguinte. Conclusão, só teria depois de 2 dias e eu precisava chegar naquele dia mesmo.

Um parênteses é que a Spirit nem cobriria os meus gastos decorrentes do atraso como hotel e a outra opção era cancelar a minha reserva e eu seria ressarcida no cartão de crédito, mas eles não sabiam e dizer qual que era o valor. Enfim, como eu tinha que chegar naquele dia no solstício acabei optando por isso.

Como tinha mais gente na mesma situação que eu, acabei alugando um carro com uma família nicaraguense.

Depois de um ano e meio sem dirigir e sem nunca ter dirigido antes nos EUA lá estava eu dirigindo de Miami por Orlando. A maior dificuldade acho que foi me entender com o GPS e as distâncias em milhas. Enfim, depois de umas voltas em círculos já estávamos na estrada no sentido certo. Por sorte, as estradas nos EUA são realmente boas e conseguimos chegar.

Eu iria do aeroporto ao rancho onde seria o solstício com um shuttle extra oficial, um cara que organizava viagens por um preço mais camarada do que o shuttle oficial.

Se as coisas tivessem acontecido como estavam previstas, eu chegaria em Orlando às 8:00 e pegaria o carro das 12:00.  Na prática eu cheguei em Orlando depois das 17:00 e quando liguei para o Doug ele já tinha saído com o último grupo. As opções não eram muito animadoras: ele podia me levar mais tarde, mas teria que me cobrar a viagem do carro completa, uns 70 dólares, ou eu teria que dormir num hotel Orlando para ir na manhã do dia seguinte.  Depois de todo o stress da chegada em Miami e de dirigir até Orlando eu nõ conseguia nem pensar o que era melhor. Disse que já ligava para ele, que não conseguia decidir.

Estava pensando o que fazer e escrever um post “SOS Orlando” num grupo de participantes do solstício quando eu vejo um cara de turbante passando pelo lobby do aeroporto, para quem não sabe a kundalini tem uma ligação com o sikismo e muitos praticantes usam turbante. Só sei que eu joguei minha mochila nas costas, guardei rapidamente meu iPad e fui seguindo o homem de turbante. Parecia cena de filme. Ele foi em direção à praça de alimentação e eu atrás. Ele estava no celular então não dava para eu me aproximar de cara.

Enfim, assim que ele desligou o celular eu o abrordei: – Você vai para o solstício? – Sim! – Então você tem que me ajudar!  –Claro, o que eu posso fazer por você?

Contei toda a história e estava na dúvida se eu teria onde dormir, já que eu ia pegar uma barraca emprestada com uma menina no dia seguinte e o sleeping bag, o Doug que ia me emprestar um.

Ele me disse que eu teria onde dormir, porque naquele dia só chegavam as pessoas que como iam fazer troca de trabalho. Decidi arriscar e por sorte eu pude ir com o shuttle oficial que ele ia também. No fim consegui chegar e ainda encontrei o Doug que me deu o sleeping bag. Conclusão: deu tudo certo e lá estava eu no Ranch.

Yogui Bajam diz que o importante não é a vida, mas a coragem que você coloca na vida. Olha, pode dizer que eu senti isso.

Um pouco de emoção para entrar na Nicarágua


Finalmente meu passaporte estaria pronto e eu poderia deixar Tegucigalpa, Na segunda saí cedinho para pegar o meu passaporte na imigração e de lá seguir para Nicarágua. Cheguei às 9:00 que era o horário que abria, mas adivinha? O meu passaporte ainda não estava pronto. Falei para a funcionária da minha situação, que já estava até com a minha mala para ir viajar. Lá pelas 11:30 meu passaporte ficou pronto e corri para pegar o ônibus.

Cheguei na divisa já pelo final da tarde, escurecendo.

Saí e Honduas e quando cheguei na Nicarágua só podia pagar com dólares ou córdobas (moeda nicaraguense) e eu só tinha lempiras, a moeda hondurenha. O câmbio do lado da Nicarágua era muito ruim, meu dinheiro não seria o suficiente. Então andei de volta para fazer o câmbio em Honduras e voltei para o posto de imigração do lado Nica.

Dei o dinheiro e meu passaporte e no lugar de receber rapidinho de volta, o processo foi demorando, o funcionário olhava, mostrava para o outro, me falaram para sentar que ia demorar. Nessa hora já estava escuro. Depois de um tempo me disseram que alguma coisa estava errado no que tinha sido feito em Honduras. Atravessei de novo aquela terra de ninguém, aqueles 100 metros entre os dois países. Em Honduras me disseram que estava tudo certo que o problema era a Nicarágua. Meu humor foi indo embora e voltei para Nicarágua.

De novo, pegaram meu passaporte, fiquei esperando….

Dessa vez o funcionário disse que eles tinham ído até o posto do país vizinho e que elas já sabiam o que fazer, eu só precisava voltar lá. Eu pedi que ele escrevesse para mim extamente o que era necessário ele disse que não, que os funcionários já sabiam.

Atravessei de novo a fronteira, cada vez mais desanimada, me sentindo uma bolinha de ping-pong, quando cheguei a mesma resposta, não tem nada que a gente possa fazer aqui, que o problema é Honduras blábláblá. Que ódio!

Voltei mais uma vez para a Nicarágua, puta da vida de ter o meu destio na mão daqueles burocratas da fronteira.

Na Nicarágua finalmente veio o “superior” que me explicou que eu tinha passado os 89 dias na Guatemala e que o carimbo de Honduras não constituía uma extensão de visto e PASMEM, a extensão que me deram em Tegus começava depois desse mês. Então a minha extenção era de 25 de dezembro a 24 de janeiro, datas que eu já estaria no Brasil.

Com o assunto mais explicado voltei para Honduras e o que o funcionário me disse é que els não podiam resolver nada ali, que eu teria que voltar para Tegus. Como assim?

Pedi então que ele me desse o seu nome e telefone, e que escrevesse para im o que tinha acontecido, assim, eles saberiam ao certo na imigração de Tegus. O cara não me deu e ainda ficou bravo que eu estava pedindo.

Saí da sala e dei um berro que raiva. Raiva da impotência, de estar na mão daquele sistema burocrático e provavelmente corrupto. Não ofereci dinheiro a ninguém, então não sei se era o que queriam, mas prefiro dormir tranquila sabendo que não patrocinei esse tipo de atitude.

Numa das minhas idas e voltas um cara se aproximou de mim primeiro falando em inglês e depois em espanhol. Primeiro nem respondi, afinal eu não estava num lugar exatamente seguro e  toda atenção era pouco para uma mocinha como eu num território nada amigável.

Mas quando ele veio falando espanhol, percebi que ele estava só tentando me ajudar, era um motorista de caminhão chileno mas que mora nos Estados Unidos e levava uma carga dos EUA para a Costa Rica. Me falou para tomar cuidado por ser estrangeira ali e se ofereceu para pagar o que eu quisesse comer. Como eu estava só com o dinheiro nicaraguense, aceitei e jantamos ali num restaurante de beira de estrada onde também estava um grupo de el salvadorenhos que também não puderam entrar na Nicarágua. Acabei tendo uma das noites mais interessantes da minha viagem, com realidades muito diferente da minha. O Motorista chileno que gostava da liberdade das estradas, mas que disse que no México ele ia o mais rápido possível porque lá a vida não valia nada. Os el salvadorenhos eram um grupo de garotos de uns 18-20 anos que estavam ind trabalhar na Nicarágua mas não puderam entrar por terem um maquinário que precisava de autorização.

No fim pequei uma carona com os el salvadorenhos até a cidadezinha próxima, encontramos um hotel onde pude dormir para voltar para Tegus de manhã.

Eu não tinha mais lempiras, para não perder mais dinheiro na conversão, não quis reconverter as minhas córdobas.

No dia seguinte fui então ao único caixa eletrônico da cidade para sacar o dinheiro do hotel e para os dois dias extras em Honduras. Tentei um cartão, a operação não foi completada. Tentei meus dois outros cartões e nada! Caraca, era só o que me faltava, ainda por cima sem dinheiro…

Enfim, resolvi entrar no banco e o primeiro cartão não funcionou, mas depois deu certo, consegui sacar o dinheiro, UFA!!!!!

Voltei para Tegus, passei na imigração e fui pro Hostel. Lá conheci um casal, ela espanhola e ele alemão e me contaram os vários perrengues que eles passaram para entrar nos países e me senti amparada. Não era só eu. E o dia seguinte era um novo dia. Fui na imigração, acertei  meu passaporte e pude atravessar para a Nicarágua. Por sorte depois dessa situação toda cheguei no Canion de Somoto, um lugar lindíssimo e as águas levaram o meu stress e me deram as boas vindas nesse país lindíssimo e interessante que é a Nicarágua.

Encontrando meu lugar em Tegucigalpa

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Quando você faz desse lugar o seu lugar, a prática acontece.

Essa frase fez muito sentido para mim em Tegulcigalpa, a capital de Honduras. Uma cidade grande sem muito charme, com uma população de 1 milhão de habitantes e uma das maiores taxas de criminalidade do mundo. Nada muito animador, não é?

Meu primeiro plano era apenas passar apenas uma noite e seguir para a Nicarágua, mas quando cheguei e fui comprar a minha passagem de ônibus, me disseram que o carimbo de um mês que recebi na imigração ao entrar em Honduras não valeria na Nicarágua. (Para entender, Na América Central existe um acordo que você pode ficar por 90 dias nos 4 países, Guatemala, Honduras, El Salvador e Nicarágua. Eu fiquei 89 dias na Guatemala e quando entrei em Honduras, me deram mais um mês)

O funcionário da empresa de ônibus me aconselhou a ir para a Costa Rica e voltar, mas eu não estava nem um pouco afim de passar quase 20 hrs de ônibus e mais o dinheiro da passagem só para chegar lá e voltar, achei que fazia mais sentido ir resolver isso na cidade.

No dia seguinte, uma quinta-feira, lá fui eu até a imigração e consegui que fizessem a extensão do meu visto, mas só estaria pronto na segunda. Decidi então ficar por lá e explorar Tegucigalpa, uma das cidades menos visitadas pelos turistas.

Quando voltei fiz o “walking tour” com o cara do hostel, passeei pelo centro, fiz comprinhas no supermercado e aproveitei para cozinhar, para mim, cozinhar é uma das coisas que me faz sentir em casa e desde o México que os hostels que eu fiquei não podia usar a cozinha.

No outro dia comecei então a explorar as atrações da cidade. Fui visitar o parque nacional La Tigra, que fica a 22 km do centro.

Fui de chicken bus, super barulhento, música popular hondurenha de péssimo gosto no volume máximo e o motor de ônibus velho super barulhento. Só conseguia pensar o que eu estava fazendo ali. Porque não tinha ido para a Costa Rica ou para Belize. Que canseira, como alguém sobrevive com tanto barulho, tanta desorganização?

Finalmente cheguei no parque. Bonito. Mas meio parecido com a nossa mata atlântica. Ia ter que ficar até segunda em Tegucigalpa. O que eu estava fazendo ali? O parque era bem organizado, fiz a trilha que cabia no meu tempo. Cheguei ao ponto mais alto, mas não tinha vista… só me vinham os sentimentos de falta, não tem vista, o parque não é tão legal assim, mas segui caminhando.

Num certo momento eu simplesmente estava ali. Passo a passo, árvores, samambaias, formigas. Fui refletindo sobre o que me fazia bem e o que não era bom para mim. De repente, no meio da mata do parque de Tegus eu estava presente. Tudo fazia sentido, caminhar em silêncio no parque vazio, pensando na vida. Nada faltava, nada sobrava. O meu caminha era ali.

Terminei a trilha uma hora antes do horário que o ônibus passaria e decidi ir caminhando e pegar o ônibus mais para a frente. Fui andando pela estrada, falando com as crianças, apreciando a vista das montanhas. Comprei framboesas das mulheres de uma casa azul. Nada podia ser melhor do que estar ali, caminhando na serra da cidade “sem graça”, capital de Honduras. Eu não queria estar nem em Belize nem na Costa Rica e percebi que aquele momento só era possível por estar naquele lugar. Exatamente por a cidade não ser uma grande atração turística eu pude estar sozinha comigo mesma de uma maneira que não tinha acontecido nos últimos lugares.

Esse foi o dia de observar a impermanência dos meus sentimentos e de achar o meu lugar. Como quando se faz um retiro ou se senta em zazen, que a mente começa “macaqueando” e aos poucos vai silenciando. Tegucigalpa foi o meu zazen e deixou e ser simplesmente “sem graça”, para ser onde eu me encontrei.

E ainda passeei bastante por lugares perto e pude desenhar na Vila de Santa Lucia, passeio de final de semana comum para as pessoas de lá. Na segunda feira fui pegar o passaporte e seguir viagem. Mas o que aconteceu depois, só no próximo post…

Sentindo o vento bater no rosto

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De Rio Dulce peguei um ônibus para Copán, em Honduras. Lá tem um sítio arqueológico muito interessante com uns totens incríveis e é uma cidadezinha gostosa nas montanhas. Por incrível que pareça e muito tranquila, sem problema de violência apesar do país ser um dos campeões em índices de assassinatos.

Ali eu tive um dos dias mais bacanas da viagem indo para as águas termais próximas da cidade. No Hostel eu conheci uma canadense de 22 anos e nos identificamos na hora. Nós duas gostamos mais de andar de ônibus comum no lugar de andar de shuttle e experimentar a vida das pessoas locais, não apenas dos turistas.

Decidimos ir com o transporte local, uma mini vã que ia até a metade do caminho e de lá tínhamos que pegar outra condução. Prá começar, descobrir de onde saía o ônibus já foi uma aventura, enfim depois de rodarmos umas duas vezes o centro de Copán, conseguimos descobrir o lugar e pegar a van.

Quando descemos resolvemos pegar carona, o que foi bem rapidinho, um hondurenho numa pick up nos deu carona e fomos atrás aproveitando o vento no rosto e a paisagem.

Chegamos lá nas águas termais e fomos surpreendidas por um lugar realmente muito lindo, as águas eram no meio da floresta, nasciam com uma temperatura de até 90ºC, as piscinas variavam de temperatura de 20 e tantos até 40 e poucos graus. Lama medicinal, queda d’agua, e tudo isso no meio da mata, incrível!

Para voltar também conseguimos uma carona também atrás de uma pick up e vimos o sol se por e a lua nascer. Mas o mais legal foi compartilhar a experiência e a alegria de fazer o caminho do nosso jeito.

Se tivéssemos ido de shuttle teríamos gastado mais, ficado menos tempo e não teríamos a alegria do vento no rosto e de ver a lua nascendo. Foi a conclusão do nosso dia, como era bom poder sair do mais óbvio e estar aberto para a experiência. E também esse encontro mostrou como não há diferença de idade. Em toda a viagem fiz amigos de todas as idades, e percebi que no fundo estamos todos no mesmo barco, compartilhando a vida. E que encontros podem ser sutis e profundos mesmo com pouco tempo.

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Seguindo viagem na Guatemala

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Quando saí da Yoga Farm, passei uma semana em San Marco Atitlán, a vila mais hippie do lago. É interessante ver como as realidades podem ser diferentes, lá, viagens astrais, sonhos lúcidos, medicinas sagradas são assuntos mais cotidianos como falar sobre o tempo, a inflação ou qualquer outra coisa.

Depois fui para Chemuc Shampec, uma sequência de quedas d’agua que normalmente são turquesa mas que como estava chovendo muito as águas azuis ficaram marrons e com muita, muita força. Mas tudo tem a sua beleza. Como nas nossas emoções, a gente gosta dos dias felizes, mas se olharmos mais profundamente tudo tem a sua beleza e o seu lugar. Sssim como todas as paisagens e é bom apreciar as coisas assim como são.

O lugar seguinte foi Rio Dulce. Lá também tinha chovido muito e a água subido, mas pude andar de caiaque, nadar no lago. Esse lugar fica no lago Izabal e pequenos braços de rios com árvores fazem lembrar a Amazônia e os igarapés. No hostel conheci um alemão que era o gerente e que vive na Guatemala há muitos anos. Ele trabalhava numa multinacional alemã da indústria farmacêutica até que teve um “burn out” e largou a vida de executivo, viajou pelo mundo e decidiu se estabelecer na Guatemala. Como muitos gringos e europeus ele me falou como tem aprendido com os guatemaltecos, principalmente os indígenas, que vivem em grande pobreza material, mas que os laços de família e comunidade fazem com que sejam um povo feliz apesar da história de exploração e miséria.

Eu nas minhas andanças tenho pensado muito como cada povo e cada realidade tem tanto a ensinar uns aos outros. Eu tiro o chapéu para a capacidade de organização e comprometimento dos americanos, assim como para o carinho e acolhimento dos mexicanos e guatemaltecos. Me sinto muito grata por poder experimentar essas diferentes realidades e gostaria que o mundo, cada cultura pudesse aprender uma com a outra, e todos caminharem juntos. Talvez seja utopia, mas talvez a utopia seja como disse o mestre Eduardo Galeano, a lua no horizonte, cada passo ela está mais distante, mas ela existe para nos fazer caminhar. Que possamos seguir caminhando!

Visita Zen

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Posso passar uns dias na sua casa? A gente pode meditar junto, fazer yoga,  caminhar no parque, eu posso preparar alguma comida saudável e dar uma força no cuidado da sua casa.

Em 2013 eu aluguei o meu apê, empacotei as minhas coisas, vendi meu carro e comecei a minha vida de “peregrina zen”. Visitei diversos Zen Centers nos EUA, vivi numa escola de Kundalini Yoga no México, numa fazenda de yoga e permacultura na Guatemala, intercalando com períodos de mochileira que também incluíram Honduras e Nicarágua. (veja mais no sobre)

Eu vou estar no Brasil de janeiro até começo de abril, me organizando para voltar para o Zen Center. Nesse período vou precisar de lugares para ficar, já que meu apê está alugado. E eu também quero poder compartilhar o que tenho aprendido e vivenciado, que é estar junto, praticar, ter menos agenda e mais disponibilidade para os encontros.

Então eu peço a sua disponibilidade e ofereço a minha presença. Qualquer período de tempo nesses 3 meses são bem vindos. Se vc quiser me hospedar me mande um e-mail (enguetsu@gmail.com) com a data que é melhor para vc e ai a gente conversa mais. Se a gente não se conhece, você pode me mandar dois contatos de pessoas para eu poder checar?

Se você não puder me hospedar mas me indicar e compartilhar já vai ser uma grande ajuda!

No Budismo se fala da interdependência e do vazio das 3 rodas, quem dá, quem recebe e o que é dado são vazios. Não existem separados. Então, vamos nessa?

Veja na página Visita Zen o calendário atualizado!

Obrigada!

Source: Visita Zen

Mystical Yoga Farm

Vista da fazenda com o Lago Atitlán ao fundo
Vista da fazenda com o Lago Atitlán ao fundo

No começo de outubro eu atravessei o Lago Atitlán, de Panajachel para a Mystical Yoga Farm, em Santiago Atitlán.

Aqui matei a saudades de vida comunitária, mas com um sabor bem diferente do Zen. Cerimônias do Fogo e de Cacao, Temazcal (sauna sagrada), Ecstactic Dance, Hatha e Vinyasa Yoga.

Desde que eu comecei a viver e praticar em comunidade eu senti a força que é praticar junto e aqui não foi diferente. Mas a beleza de viver junto não é que somos todos seres perfeitos e elevados, flutuando por ai. Ao contrário, é um espaço onde as questões aparecem e você tem que lidar com isso, mas junto se cria um espaço seguro e de suporte mútuo.

Conviver com o diferente nos faz ver a nós mesmos. E para mim foi interessante estar nesse espaço, aprender com as práticas daqui mas ao mesmo tempo perceber que a conexão que eu tenho com o Zen e com a Kundalini Yoga são mais profundas. Mas saber disso não me impediu de estar presente e compartilhar com prazer as aulas e atividades.

Um dos temas praticados enquanto estive lá foi o auto-amor, e pude ver o quanto é mais fácil para mim ser tolerante com os outros do que comigo mesma. Tenho irritações que são minhas e aparecem mesmo numa paisagem linda, de frente para o lago e para o vulcão. Ai eu vejo como viajar e praticar não é fugir mas encontrar. Encontrar sentimentos e emoções. Encontrar o que me deixa feliz ou irritada. Aprender com o diferente e  descobrir mais quem sou e quem não sou. E quem sou já não é mais, porque já mudou e vai mudando. E assim vamos, seguindo…

Sri, a "spiritual holder", Clanc,coordenadora de permacultura e eu.
Sri, a “spiritual holder”, Clanc,coordenadora de permacultura e eu.
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Eu e Natália que me ensinou a fazer tortillas
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Eu, Pedro e David, equipe da cozinha.
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Eduardo, eu e Ronaldo. Jardineiros
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Jahendo, o hippie maneger e eu

Descobrindo a Guatemala

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“Quando ouvimos a realidade de inúmeras coisas, devemos saber que existem características inesgotáveis, tanto no mar como nas montanhas, e há muitos outros mundos nas quatro direções. Isto é verdade não só no mundo exterior, mas também debaixo dos nossos pés ou dentro de uma única gota de água. ”
Dogen Zenji – Genjokoan

Sigo viajando e agora estou na Guatemala, um novo mundo se revela para mim. Não adianta trazer ideias de como as coisas eram no México ou no Brasil. Como tudo na vida a realidade única se apresenta. Não adianta buscar a experiência de ontem.

Aqui a tortilla tem três tempos, as tortillerias só abrem antes do café, almoço e jantar. O milho segue sendo um alimento sagrado. Se somos o que comemos, realmente os homens são de maiz  como na história do Popol Vul, livro sagrado dos mayas. E os costumes se mantém tanto na alimentação como na forma de vestir das mulheres com seus tecidos coloridos. Além disso a natureza é impressionante, no norte, a mata, depois mais a sul o lago Atitlán e seus vulcões.

Mas também vou descobrindo a história e sentindo a presença do medo, metralhadoras pelas ruas, casas com muito arame farpado. Os indígenas de origem maya sofreram não só com a chegada dos espanhóis, mas a história de opressão se manteve no decorrer dos séculos. O país viveu uma guerra civil que ao longo de seus 36 anos matou aproximadamente 220.000 pessoas.

Descobri aqui Rigoberta Menchú, uma líder indígena guatemalteca que recebeu o prêmio nobel da paz.  Ela perdeu o pai e o irmão durante a Guerra e viveu a opressão que sofrem os indígenas daqui, mas mantém a esperança e o trabalho por um mundo melhor.

“Nosotros no somos mitos del pasado, ni del presente, sino que somos pueblos activos. Mientras que haya un indio vivo en cualquier rincón de América y del mundo, hay un brillo de esperanza y un pensamiento original.” Rigoberta Menchú

Vivenciando a vida e a natureza aqui penso em todas essas realidades e as que existem dentro de nós. Que descobertas externas que reverberam dentro e do mundo interno que reverbera fora. Que cultivar a paz, o autoconhecimento para que se possa mudar esse mundo de opressão. Ser como Gandhi, a transformação que queremos para o mundo.

Compartilhar a vida – Panajachel

Vista do meu quarto em Pana
Vista do meu quarto em Pana

Uma parte importante da viagem são os encontros pelo caminho, compartilhar a vida com novas pessoas que surgem e viram parte da história.

Em Panajachel no Lago Atitlán me hospedei e trabalhei numa galeria de arte, La Galeria, através do workaway, que é também a casa da artista Nan Cuz, e do seu filho Thomaz e da sua nora, Sabine.

Nan Cuz
Nan Cuz

Nam é uma senhora de 88 anos, uma artista incrível, filha de mãe indígena guatemalteca e pai alemão. Nasceu e viveu na Guatemala quando criança e depois viveu na Alemanha com seu pai onde concluiu sua educação. Sua arte reflete essa história e pulsa com cores intensas. Atualmente Nam tem bastante dificuldade para andar, come bem devagarinho e fala pouco. Mas mesmo que não se possa conversar muito com ela, se sente sua presença e historia.

Por vinte dias vivi a vida da família, ajudei Nam a andar e comer. Eu tinha um quarto separado da casa, mas fazia as refeições junto, durante esse tempo fez parte do meu dia-a-dia sair para comprar tortilha em uma tortilleria 3 tempos (lugares que preparam tortilha a mão, no horário do café, almoço e jantar). Caminhei com a Sabine de manhã e pude apreciar a beleza do lago. Dei aulas de Kundalini yoga, e organizei uma atividade de zazen. Fiz design gráfico para a galeria e ajudei a fazer panquecas no domingo.

Por 3 semanas minha vida foi a vida dessa família, que antes eu nem conhecia e que por 3 semanas foi como a minha família. Depois de um mês fora voltei para passar duas noites de passagem para ver a celebração do dia dos mortos em outra cidade. Bom rever, boa a sensaçãoo de voltar para a casa. As despedidas tem a sua tristeza também, uma realidade que foi minha por um tempo e que eu estou deixando. Quantas vezes eu não estou passando por essas emoções ao longo da jornada. Mas o que me alegra é que se não tivesse a disposição de sair não teria não teria a oportunidade dos novos encontros.

Como diria Milton Nascimento
“E assim chegar e partir
São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem da partida”

E tem alguma coisa que fica com a gente, das gentes de a gente encontra.

Nan, eu e Mercedes
Nan, eu e Mercedes
Thomaz, Sabine e eu
Thomaz, Sabine e eu
Eu e Valentina, que trabalha na casa
Eu e Valentina, que trabalha na casa